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Nas democracias presidencialistas, como no Brasil e nos Estados Unidos, a eleição presidencial é o nível mais elevado da política do país. Afinal, é por meio dela que, entre os vários nomes que se candidatam, um mandatário é escolhido para executar as ações de governo que exercerão influência direta sobre a qualidade de vida das pessoas e sobre o futuro da nação.

Contudo, ainda que os dois países obedeçam ao mesmo sistema de governo, há diferenças muito grandes entre as eleições americanas e a forma como nós, brasileiros, elegemos nossos presidentes. Confira neste post como funciona cada uma. 

As eleições no Brasil

Desde que foi inaugurada em nosso país com a Proclamação da República, em 1889, a democracia brasileira passou por várias etapas, quando havia maior e menor representatividade popular. Com isso, também tivemos mudanças na forma de eleger os governantes.

Entre 1964 e 1985, por exemplo, enquanto durou o regime militar, os presidentes eram eleitos por meio do chamado “Colégio Eleitoral” que, naquele caso, era formado por membros do Congresso Nacional, aos quais cabia referendar o nome escolhido pelos militares para assumir a Presidência. 

Aos opositores do regime, era até possível apresentar candidaturas, mas elas não tinham qualquer chance de saírem vencedoras da votação que os congressistas faziam, uma vez que o colégio era arranjado de tal maneira que assegurava a vitória do candidato da situação.

Eleições presidenciais de 1989

Com o término do mandato do general João Baptista de Figueiredo, em 1985, o maranhense José Sarney foi eleito o primeiro presidente civil brasileiro após o regime militar, o que foi feito ainda pelo voto indireto. Em 1989, as eleições voltaram a ser diretas, como pleiteava grande parcela da população naquele tempo.

Seguindo o sistema eleitoral direto que vigora ainda hoje, e que é válido para todo o território nacional, na ocasião, foi eleito Fernando Collor de Melo.

Maioria

Em municípios brasileiros com menos de 200 mil habitantes, os prefeitos são eleitos por maioria simples. Ou seja, ganha as eleições quem obtiver mais votos. Contudo, as eleições para prefeitos de cidades com mais de 200 mil habitantes, e também para os cargos de governadores dos estados e da Presidência da República, seguem o sistema de turnos.

A partir dele, por meio de voto secreto, que é registrado em urna eletrônica, cidadãos entre 18 e 70 anos são obrigados a votar em um dos candidatos que se apresentam para os cargos. O voto é facultativo para eleitores que tenham 16 ou 17 anos e mais de 70 anos.

Com o sistema de turnos, caso algum candidato receba 50% dos votos, mais um voto, ele é eleito em uma única rodada da eleição. Caso contrário, se nenhum dos candidatos alcançar a votação mínima, a saída é fazer um segundo turno de votação, que será disputado pelos dois candidatos mais votados. Dessa nova votação finalmente é eleito o candidato que alcançar a preferência da maioria dos eleitores de forma direta. 

As eleições americanas

Nos Estados Unidos, o processo é mais liberal, porém é um tanto complexo. A liberalidade fica por conta da possibilidade do eleitor escolher se vai votar ou não, uma vez que o voto não é obrigatório.

Além disso, como a independência dos estados da Federação é uma das bases constitucionais do país, cada unidade federativa escolhe as próprias regras para as eleições que acontecem no âmbito estadual, inclusive aquelas que dizem respeito á eleição presidencial.

Os partidos políticos

Antes mesmo de ser dado início ao processo eleitoral, os partidos políticos escolhem seus candidatos durante as convenções estaduais. De fato, essa etapa é uma preliminar eleitoral, uma vez que a escolha dos candidatos é feita por meio da votação dos membros do partido.

Atualmente, além do Partido Democrata e do Partido Republicano, que se alternam na presidência, existem vários outros partidos no país, mas nenhum com representatividade suficiente para fazer um presidente.

A votação

De modo geral, como ocorre no Brasil, os eleitores seguem para um local pré-determinado, onde estão instaladas urnas comuns, como as que eram utilizadas por aqui no passado. Nessas urnas, são depositados votos físicos, que serão contados manualmente, um a um, posteriormente.

Contudo, os votos podem ser depositados com antecedência e há estados que permitem o envio das cédulas por fax e até por email.

Delegados

Quando um eleitor americano vota em determinado candidato à presidência a partir de seu estado de origem, na verdade, o voto dele define a eleição de um conjunto de delegados que fará a representação daquele candidato presidencial no colégio eleitoral que, como veremos a seguir, definirá o presidente, em um momento posterior.

A cada unidade federativa é atribuído um determinado número de delegados eleitores e esse número é definido levando em conta o tamanho da população do estado e o número de congressistas que cada um possui. Assim, estados com maior população e com mais congressistas elegem mais delegados.

O estado com maior número de delegados é a Califórnia, que elege 55 representantes para o Colégio Eleitoral. Os que têm menor representatividade, como a Dakota do Norte e Montana, elegem apenas três delegados cada um.

A escolha dos delegados

Em 48 estados e em Washington D.C., que é o distrito federal dos norte-americanos, funciona o sistema denominado “o vencedor leva tudo”. Ou seja, o candidato à presidência que tiver o maior número de votos leva todos os delegados do estado.

Essa é uma questão importantíssima, sobretudo quando diz respeito a um estado que tem grande número de delegados, como a Califórnia.

Nos estados restantes – como Nebraska e Maine – há outro método de escolha dos delegados, chamado Congressional District Method. Mais complexo, ele divide as vagas no Colégio Eleitoral entre os vencedores em todo o estado e os vencedores em cada um dos distritos do estado.

O Colégio Eleitoral

Finalmente, feita a escolha dos delegados, o Colégio Eleitoral pode ser constituído. Ele será formado por 538 delegados que votarão nos candidatos à presidência. É eleito o candidato que obtiver a maioria dos votos no Colégio, o que representa 270 delegados. Em caso de empate, cabe à Câmara dos Representantes a escolha do novo presidente. 

Cabe observar que, na prática, como os eleitores de cada estado votam em candidatos de partidos, o partido que elege mais delegados fica bastante próximo de também eleger o seu candidato, uma vez que, dificilmente, um delegado de um determinado partido votará no candidato do outro partido.

Nem sempre o campeão nas urnas é eleito

Nas últimas eleições, por exemplo, a candidata do Partido Democrata, Hillary Clinton, obteve a maioria dos votos da população americana. Contudo, como o Partido Republicano fez mais delegados, ele obteve a maioria no Colégio Eleitoral e elegeu o seu próprio candidato, Donald Trump.

Agora que você já sabe as diferenças entre as eleições americana e brasileira, acompanhe as nossa página no Facebook para receber mais informações interessantes. 

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