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Para muita gente, a culpa foi da Flórida. Para outros, foi do Facebook, acusado de criar bolhas sociais e ajudar na divulgação de notícias falsas. No entanto, independentemente de qual lado esteja certo, o fato é que boa parte dos intercambistas nos EUA acordaram no dia 9 de novembro com a notícia de que o empresário e ex-apresentador de reality show, Donald Trump, seria o substituto de Barack Obama na presidência dos Estados Unidos.

E como Trump venceu as eleições com um discurso bastante populista, pautado no protecionismo e com ideias controversas (como a deportação de todos os imigrantes ilegais e o banimento de muçulmanos, só para citar dois exemplos), essa notícia deixou vários estudantes de cabelo em pé.

Mas será que os intercambistas devem mesmo se preocupar com Trump na presidência? O que muda na vida dos brasileiros que estão estudando nos Estados Unidos ou que gostariam de estudar por lá? É o que vamos mostrar neste post. Confira!

Trump e o Visto J-1

Boa parte do medo dos intercambistas em relação à eleição de Donald Trump começou ainda em 2015, quando o então candidato colocou no site do seu programa de governo que ele pretendia extinguir quase que totalmente o visto J-1. É claro que muitos estudantes ficariam preocupados.

Para quem não sabe, o J-1 é um visto concedido pelo governo norte-americano exclusivamente para intercambistas. Ele já contemplou 300 mil pessoas, de mais de 200 países, e é distribuído todos os anos. No entanto, se a primeira ideia publicada por Trump fosse colocada em prática, apenas os intercambistas contratados por alguma empresa poderiam obter o visto de estudo para os Estados Unidos — algo que acontece em pouquíssimos casos.

Mas quem é intercambista (ou pretende ser) não precisa se preocupar tanto, pelo menos por enquanto. Apesar de o presidente eleito ter apresentado esse projeto em um primeiro momento — e direcionado sua campanha para conceitos parecidos —, no texto final publicado em seu site essa parte do J-1 foi retirada. Portanto, não sabemos ao certo se ela será colocada em prática ou não (até porque muitas universidades que lucram bastante com os programas de intercâmbio não gostariam nada disso).

Tensão contra os estrangeiros e minorias

Outro ponto que afeta diretamente os intercambistas nos EUA com a vitória de Donald Trump nas urnas é o aumento da tensão contra os estrangeiros e minorias. Grupos que foram confrontados diretamente nos discursos do empresário durante sua campanha.

Em uma universidade do Texas, por exemplo, poucas horas após a divulgação do resultado final das eleições foram noticiados vários ataques verbais (e físicos) a estudantes de outras nacionalidades, negros e gays.

O próprio The New York Times fez um especial mostrando como milhares de estudantes estrangeiros já estão repensando sua estadia nos Estados Unidos com Trump na presidência.

No entanto, assim como no caso do J-1, é preciso ficar atento antes de tomar alguma decisão com base nesses primeiros momentos, afinal, 5 dias após sua vitória, o próprio Donald Trump fez uma declaração em uma entrevista à CBS dizendo para que as pessoas parassem de perseguir os estrangeiros e as minorias em seu nome, já que em seu governo ele gostaria de unir as pessoas e não separá-las.

Ou seja: deu para ver que o que ele disse antes e depois das eleições não costuma bater 100%.

As promessas de Trump antes e depois das eleições

Como você já deve ter percebido, não dá para dizer ainda se tudo aquilo que Trump prometeu durante a sua campanha será colocado em prática. Vários pontos levantados por ele mudaram de figura (ou de tom) após sua vitória.

Até a contagem dos votos, por exemplo, ele prometeu banir os islâmicos de todo o território norte-americano. Depois, esse trecho do seu programa foi retirado do ar.

Também antes da contagem dos votos, Trump prometia deportar todos os imigrantes ilegais (que já somam cerca de 3 milhões de pessoas no território norte-americano). Depois, ele mudou seu discurso dizendo que só deportaria aqueles que apresentassem algum antecedente criminal ou ligação com gangues.

Até mesmo o casamento gay foi colocado em xeque durante a campanha de Trump. No entanto, após sua vitória ele disse, na mesma entrevista à CBS, que essa decisão (a favor do casamento) já havia sido tomada pela maioria em um momento anterior e que ele não mexeria na lei.

Por outro lado, a construção de um muro separando os Estados Unidos do México é um dos projetos que ele manteve de pé mesmo após o resultado das eleições, portanto, não dá para saber o que de fato será levado adiante ou não pelo mais novo presidente eleito — e observar todo esse processo é algo muito importante para quem sonha em seguir uma carreira política.

Os lugares mais tranquilos para os intercambistas nos EUA

Outro ponto que é (sempre) bom ter em mente é que Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos sem ter conseguido a maioria dos votos. Algumas pesquisas chegam a dizer, inclusive, que a candidata Hillary Clinton teve cerca de 2 milhões de votos a mais que o concorrente — que só ganhou por causa do complicado modelo eleitoral norte-americano. E isso ajuda bastante no clima de recepção dos intercambistas, principalmente naqueles estados ou cidades em que a democrata se saiu melhor nas urnas.

Nessa lista estão Nova York, Oregon, Califórnia e até mesmo Washington, assim como boa parte do restante da costa oeste do país, onde Hillary obteve a maioria dos votos populares. Mas isso não faz dos estados em que Trump saiu vitorioso uma opção pior para o seu intercâmbio.

Como deu para perceber, ainda não é possível dizer corretamente como o governo de Donald Trump pode afetar os intercambistas nos EUA. No entanto, para quem está pensando em estudar um tempo na terra do Tio Sam, talvez seja a hora de pesquisar outros lugares — afinal, se mudar de cidade já demanda muito planejamento, imagine mudar de país.

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