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A palavra “feminismo” foi usada pela primeira vez em 1837 pelo filósofo francês Charles Fourier, mas só começou a ter uso corrente no final do século XIX e início do século XX. Isso porque foi apenas nessa época que o movimento feminista começou a ganhar força e se estruturar em torno da conquista de direitos das mulheres e luta pela igualdade dos sexos.

De lá para cá, muitas coisas mudaram. Outras, nem tanto. Ainda assim, houve muita evolução em mais de 100 anos de batalha, tanto nas vitórias do movimento, quanto em suas características próprias, que foram se adaptando às necessidades apontadas pelas mulheres de todo o mundo.

Diante de tanta história, não há dúvida de que, independentemente da sua opinião sobre o feminismo, você certamente tem muito a aprender com ele. 

Confira, a seguir, 5 lições que o movimento pode trazer para a sua vida. Vamos lá? 

Conquistar direitos requer participação política

Entre os primeiros sinais de que as mulheres não estavam nada satisfeitas com sua situação em comparação aos homens está o livro “Uma reinvindicação pelos direitos da mulher” (A Vindication of the Rights of Woman), de 1792, da escritora inglesa Mary Wollstonecraft.

Na verdade, a questão dos gêneros já vinha sendo tocada de leve por alguns filósofos desde o Iluminismo, décadas antes. Porém, na Revolução Francesa  — que começou em 1789, vale lembrar, e, cuja fundamentação teórica vinha em grande parte daquele movimento intelectual — não houve muitos avanços em relação à igualdade de direitos entre homens e mulheres.

Nesse período, a Assembleia Nacional parecia estar, inclusive, reduzindo o campo de ação das mulheres ao deliberar, por exemplo, em 1791, que elas só deveriam receber uma educação exclusivamente doméstica.

Foi justamente isso, entre outras injustiças, o que impulsionou Mary Wollstonecraft a escrever seu livro, exigindo mais direitos para as mulheres.

Apesar disso, durante os 100 anos seguintes, pouquíssima coisa mudou, e embora o movimento feminista tenha ganhado força no final dos anos 1890, a luta pela igualdade de direitos de propriedade e de contrato (principal pauta defendida na época) não estavam dando resultado.

Foi aí então que as primeiras feministas, a se reconhecerem enquanto tais, se deram conta de que seus esforços seriam em vão se elas não tivessem nenhuma voz entre os tomadores de decisão da sociedade.

Consequentemente, elas passaram a priorizar a luta pela conquista de poder político, e foi só quando finalmente alcançaram o direito ao voto que suas reinvindicações começaram a ser ouvidas e atendidas de verdade.

Privado, pessoal e particular não significam despolitizado

Mais tarde, no que ficou conhecida como a “segunda onda” do feminismo, a filósofa francesa Simone de Beauvoir traça em seu livro “O Segundo Sexo” (Le Deuxième Sexe), de 1949, uma análise completíssima da situação das mulheres no pós-guerra, com referências de todos os campos do conhecimento, da biologia à literatura.

Com base nesse estudo, foi possível que o feminismo começasse a apontar, com maiores detalhes, as relações entre a forma como a sociedade ocidental se construiu e as desigualdades e injustiças a que eram (e são) submetidas as mulheres em vários níveis, inclusive nos aspectos mais íntimos de suas vidas pessoais.

O ensaio “O Político é Pessoal” (The Personal Is Political, 1969), da jornalista estadunidense Carol Hanisch, tornou-se o slogan da chamada “segunda onda” do feminismo, em que a influência de ideias políticas em várias esferas das nossas vidas começou a ser revelada e destruncada, não só no movimento feminista, mas ainda em todos os âmbitos da sociedade.

Não há igualdade sem respeito à diversidade

Com o fim do colonialismo na segunda metade do século XX, mais e mais mulheres de regiões e contextos sociais diferentes daqueles que dominaram as duas primeiras ondas do feminismo — cujas líderes eram, em sua maioria, mulheres brancas e de classe média — começaram a aderir ao movimento e fazer-se ouvir.

A “terceira onda”, portanto, questionando muito daquilo que as feministas anteriores haviam definido como ideal para todas as mulheres sem se dar conta de sua diversidade, procura respeitar as diferentes experiências, necessidades e histórias das mulheres por todo o planeta, independentemente de sua cor, fé, nacionalidade, orientação sexual, etc.

O direito de escolha não define opções certas ou erradas

O aumento da diversidade dos participantes do movimento feminista teve ainda, uma outra consequência. Ao reconhecer e respeitar o fato de que mulheres de contextos diferentes poderiam ter vontades e necessidades diferentes, o feminismo precisou rever suas ideias a respeito do que era certo ou errado, bom ou mau para as mulheres.

Sendo assim, a luta passou a priorizar ainda mais a conquista da igualdade no sentido de dar às mulheres o direito de fazerem suas próprias escolhas em todos os aspectos de suas vidas, sem julgar entre as opções para definir o que seria melhor ou pior.

Desse modo, uma mulher que decide se casar, ter filhos e não trabalhar tem suas escolhas respeitadas pelas feministas.

Ao mesmo tempo, só porque se tem um estilo de vida mais tradicional, não é preciso deixar de lutar para que outras mulheres possam traçar caminhos diferentes: o primordial é que o direito à escolha exista, não importa por qual delas se opte.

Persistência é essencial

Embora nós só tenhamos acesso aos registros mais recentes da batalha das mulheres pela igualdade de direitos — afinal, somente nos últimos séculos é que elas passaram a ser ouvidas e terem seus escritos guardados e valorizados — não há dúvida de que seu desejo de emancipar-se é tão antigo quanto a existência do ser humano.

Isso quer dizer que a luta do movimento feminista durou muito mais do que 100, 200 ou mesmo 300 anos, já pensou? Sem contar tudo o que ainda temos pela frente até que homens e mulheres de todo o mundo tenham os mesmos direitos e sejam igualmente respeitados e valorizados!

Todo esse tempo mostra que persistência é a chave para alcançar o que buscamos, e ainda que as coisas pareçam estar progredindo a passos lentos, é preciso continuar tentando sempre, para que haja alguma esperança de mudança no futuro, mesmo que distante.

Gostou de conhecer essas 5 lições e a importância do feminismo? Então que tal compartilhar este post nas redes sociais para que mais gente possa ficar mais por dentro da história do movimento? Com um pouquinho mais de informação a cada dia, vamos aos poucos fazendo um mundo melhor!

 

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